Agora, depois das eleições legislativas e em particular depois das eleições autárquicas não poderia deixar de vos expressar aqui algumas ideias, depois de ter passado um ano inteiro a lutar para que o PSD tivesse um candidato à altura do desafio autárquico, um candidato que conhecesse o Concelho e um candidato que tivesse um discurso onde o eleitorado do PSD e os seus militantes se revissem.
Jorge Santayana, em 1905 apresentou um aforismo que é citado nas mais diversas ocasiões “quem não se lembra do seu passado está condenado a revivê-lo”. O que desde 2004/2005 reincidentemente se tem passado em Oeiras, não pode ser fruto de um mero esquecimento. Até porque como disse, a Secção de Oeiras para além de ter alertado em tempo, esteve um ano a trabalhar e a construir uma alternativa. Trabalho este que foi posto em causa a uns meros dois meses das eleições.
Caros Companheiros
Eu sei que muitos esperam que o meu discurso esta noite se paute por um apontar de dedo à secção X ou ao militante Y, responsabilizando alguém pelo resultado eleitoral em Oeiras. Compreenderão certamente, até pelo conhecimento que têm do que se passou neste ano que teria toda a legitimidade para o fazer.
Para criticar, para expor a nu os objectivos tácticos que visaram a destabilização do Distrito e da Distrital em detrimento de um resultado positivo no Conselho de Oeiras, ou pela responsabilidade que procuraram colocar nos ombros de outros por à partida acreditarem que a conquista de Oeiras era uma causa perdida.
No entanto, prefiro deixar aqui hoje, de consciência tranquila e com a noção de dever cumprido, um agradecimento aos militantes de Oeiras que apesar de terem inicialmente escolhido outro candidato, acataram as ordens emanadas pela líder do partido e não desistiram, e fizeram campanha e apresentaram-se a votos. Com a agravante de cada um deles ter perfeita noção que nas circunstâncias em que o PSD se encontrava seria muito difícil enfrentar Isaltino Morais por um lado e a máquina do Partido Socialista por outro.
Assim, não posso deixar de mencionar os candidatos às Juntas, José Maria Trindade, Nuno Luís, Norberto Machado, Luís Rocha, Luís Tavares, Helder Sá, com uma referência especial ao Nuno Vitoriano e em particular à Alda Lima. Foi também inegável esforço da JSD de Oeiras e do seu presidente Ricardo Júlio Pinho, bem como, a dedicação do Ricardo Rodrigues, do Bruno Pires e do próprio Pedro Simões que demonstrando elevado espírito democrático e abnegação apoiou esta candidatura.
Sras. e Srs. Conselheiros Distritais
Por mais que se queira fazer um discurso positivo e de esperança é impossível continuar a escamotear a verdade. O PSD perdeu efectivamente as eleições.
A estratégia e o discurso feito pela actual liderança nacional não convenceram os portugueses.
Com todos os problemas que o governo tinha contra ele, o aumento do desemprego, a crise, o descontentamento dos professores, o freeport e o caso TVI, mesmo assim, na perspectiva de se optar entre o Sócrates e Manuela Ferreira Leite os Portugueses optaram pelo Sócrates. Porquê?
Quantos dos aqui presentes não conhecem militantes e simpatizantes do PSD que nas legislativas e nas autárquicas não votaram PSD? Que se abstiveram, que não foram votar ou que votaram no CDS, ou acreditam que o aumento da votação no CDS foi só por causa do Paulo Portas?
O PSD, em particular as suas lideranças nacionais têm promovido um divórcio com o seu eleitorado, não é só com os eleitores, é com os seus próprios militantes que acabam por não se rever no discurso de quem lidera o partido. Se não vejamos as derrotas que o PSD teve em Oeiras, em Leiria e nos Concelhos onde foram impostos candidatos e compare-se com as vitórias de Vila Nova de Gaia e de Santarém, onde os candidatos das listas do PSD se demarcaram da líder do partido.
Isto só revela uma coisa, que o PSD se fechou nas suas guerras internas, nas perseguições, nos ódios pessoais e se esqueceu do que é efectivamente importante, o país.
Temos putativos candidatos preocupados em garantir falsos consensos entre as pseudoelites do nosso partido e que com tanta inteligência se esquecem do óbvio. Que quem está em conflito com as várias lideranças, quem não se revê no discurso destas elites são os próprios militantes e simpatizantes do PSD.
Como é que alguém tem a veleidade de acreditar que conquista eleitorado ao PS, ao CDS e à abstenção quando não consegue convencer os seus próprios militantes. Quando nem sequer os ouvem.
O PSD não é um clube de futebol, cujos adeptos seguem o clube sem questionar.
O PSD é um partido que quer exercer o poder, que quer governar, e quer fazê-lo a bem de portugueses. É um Partido Político que tem militantes conscientes que querem um partido progressista, humanista, que saiba inovar, que tenha coragem para reformar o que é de reformar. Um partido com estratégia e não um partido taticista à espera que o poder lhe caía nas mãos.
Acima de tudo, mais do que um falso consenso que apenas garante que tudo fica na mesma, o PSD precisa de alguém em quem os portugueses se revejam.
Duas notas finais.
Relativamente às próximas Eleições Distritais o Pedro Afonso Paulo e o Carlos Carreiras sabem que difícil foi termos apoiado a Distrital em 2008, agora independentemente de tudo, conscientes que no relacionamento entre as secções e a Distrital há naturalmente sempre divergências, não posso deixar de assumir que até por comparação com as distritais anteriores, esta CPDL tem apresentado um bom trabalho dentro das suas responsabilidades. Por isso, é natural o meu apoio enquanto presidente da Secção de Oeiras.
A última nota prende-se já com as eleições autárquicas de 2013.
O esforço para se reconquistar a Câmara Municipal de Oeiras e consequentemente apaziguar e reunir a família social democrata de Oeiras começou já no dia 12 de Outubro.
Disse.